casuLo inverSo
Sexta-feira, Novembro 04, 2005
soneto felpudo
se a vida fosse um fio cheio de contas
cada pedrinha um filho avô querido
a linha como o eterno rio comprido
quando ela chega ao fim dobram-se as pontas
no começo da vida malas prontas
no pescoço o colar antes benzido
porta afora (destino decidido)
o acaso ao céu se empina: tu me afrontas?
o céu sabe o que sabe desde tudo
sabe das contas sabe da medida
que a linha no colar dobra contudo
início fim céu terra mar: a vida
descobre que o acaso é mais felpudo
e a vida insiste mesmo sem saída
Domingo, Outubro 16, 2005
rascunhos de sonetos
o amor, roda gigante ou carrossel
castelo de xadrez ou de baralho
espelho de menino antes grisalho...
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mesmo com tal beleza em seus novelos
os fios que dali surgem já estão gastos...
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grafismo asteca gira em caracol
palavras que se envolvem com o sol
a trama de anagramas do oriente
percorre a seiva em rumo descendente...
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o circo anda vazio por estes dias
a trupe treme atrás do picadeiro...
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por proteção a preta velha vela
em suas mãos traz ervas e um rosário...
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ninguém habita a casa de uma rua...
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no fim dobram-se as pontas - fio de contas
cada pedrinha um filho, avô querido
no fim a vida ainda insiste em vir
a vida insiste, mesmo sem saída
feliz ou triste, a esmo ou decidida...
Quarta-feira, Outubro 05, 2005
© The Estate of Tina Modotti
Diego Rivera e Frida Kahlo ao centro, no 1° de Maio (México, março de 1929), em foto tirada por Tina Modotti, cuja biografia em quadrinhos tem pago meu salário.
Segunda-feira, Agosto 15, 2005
Quarta-feira, Julho 27, 2005
soneto arawak || o paraíso é aqui, como as antilhas | - arquipélago virgem de outras datas - | é tão verde e selvagem como as matas | a fera caça o prêmio e espreita as trilhas || nós, arawaks, caçamos com forquilhas, | flechas, respeito e instinto - armas exatas | ah... se eu pudesse ter balas de pratas | derrubaria muitos das matilhas || de mercenários vindo em caravelas. | mas quem caiu fui eu. nunca me esqueço | da fúria do espanhol atrás de pérolas. | cortou o meu pescoço e pôs do avesso | a tribo, encarcerada nestas celas... | o inferno aqui depende do seu preço.
Terça-feira, Julho 26, 2005
soneto escorraçado
majestade, concedo-lhe esta descoberta.
mil ilhas de riquezas, ouro, prata e pedras.
seguimos vossas ordens de abusar das regras.
a cada diamante, uma ferida aberta.
e, a cada dinamite, diminui a oferta
de mãos-de-obra escravas, brancas, índias, negras.
as guerras dos nativos vossa alteza integras
ao lucro da coroa de sangue coberta.
cortez ataca alvos de astecas cabeças.
e um tal de montezuma... esse não faz defesa.
agora, majestade, antes que me esqueças,
peço que aceites esta humilde gentileza:
um jogo de xadrez só com as vossas peças,
escorraçando, assim, a américa indefesa.
Quinta-feira, Julho 21, 2005
e o bento fez 7 meses, descobriu a roda
e agora fica balançando pra frente
e pra trás, em posição de engatinhar